Está sendo concluída a implantação do Sistema de Transporte Público Coletivo Urbano de Passageiros, denominado Integra, com o Corredor Frei Serafim licitado, implantação das linhas interterminais em planejamento, e ajustes operacionais e de gestão em execução.
Tem-se notado muitas críticas ao sistema, o que é compreensível, afinal é a maior mudança ocorrida no funcionamento da cidade nos últimos tempos, em que se reorganizou completamente todo um modelo de transportes coletivos urbanos, passando de um sistema convencional exaurido para um modelo compatível com a Teresina atual, e uma mudança de grande porte sempre gera dificuldades de assimilação em sua fase inicial.
A partir de meados da década de 1990, o sistema anterior, composto por linhas radiais, circulares e diametrais, começou a dar sinais de exaustão, mostrando-se já incompatível com o crescimento acentuadamente horizontal da cidade em direção às bordas do seu perímetro urbano e com o crescimento da frota e motos, gerando-se congestionamentos. Em consequência, veio o contínuo aumento do custeio do serviço, e a queda na qualidade do atendimento, provocando-se um acentuado desgaste do setor de transportes coletivos junto à opinião pública. A seguir temos os problemas mais críticos do antigo sistema:
- Linhas de bairros diferentes de uma mesma zona ficavam superpostas nos corredores, com os usuários observando vários ônibus de sua zona passarem sem poder pegá-los por não serem de seu bairro;
- As viagens que atravessavam a cidade eram sempre pagas pelo duas vezes por sentido, por falta de integração;
- As linhas circulares foram perdendo eficiência por aumentos seguidos na extensão de seus itinerários, por pressões de atendimento a novos núcleos habitacionais;
- A frota passou a ser insuficiente, pois lentidão das viagens impedia o retorno dos ônibus aos terminais em tempo hábil para coletar mais passageiros, e o simples aumento de veículos nessas condições gerava ainda mais congestionamentos e lentidão no trânsito.
Difundiu-se muito na mídia e nos debates políticos a ideia de que a nossa tarifa era a mais cara do país – mesmo isto sendo desmentido cabalmente pela Strans, da falta de um sistema integrado, e da cobrança pela cobrança de realização de licitações como a solução para todos os problemas do sistema.
Ao longo deste período implementaram-se meios técnicos e gerenciais disponíveis para atenuar os problemas de confiabilidade do sistema (pontualidade, conforto e segurança) e pressão tarifária, e as administrações da PMT e da Strans sempre fizeram valer, em todos os meios possíveis de discussão sobre esta temática, a posição clara de que o real problema estava no cansaço do modelo em funcionamento, com a necessidade um grande projeto de reformulação do mesmo, adequando-o ao nosso contexto atual e futuro e promovendo os meios técnicos e legais para o seu funcionamento.
O sistema vigente foi amplamente discutido quando da realização da Agenda 2015, e então se concluiu pela necessidade da elaboração do Plano Diretor de Transporte e Mobilidade Urbana de Teresina, instrumento norteador das inovações de transportes e trânsito adequadas à nossa realidade, e fundamental para a obtenção de recursos capazes de alavancar grandes transformações nesta área, pois o Estatuto das Cidades exige sua elaboração para os centros urbanos com população acima de 500 mil habitantes.
A PMT tentou diversos meios para obtenção de recursos necessários à formulação do plano Diretor, estudo muito caro e exigível por lei, mas não havia linhas crédito disponível para o seu financiamento em condições razoáveis, optando-se por realizá-lo com recursos da contrapartida do Projeto Lagoas do Norte.
Concluído em 2008, o Plano Diretor de Transportes e Mobilidade Urbana de Teresina, definiu o Sistema Integrado de Transporte Coletivo Urbano de Teresina, com funcionamento em rede tronco-alimentada, com linhas alimentadoras a partir dos bairros até os Terminais de Integração (02 por Zona Urbana), linhas troncais, a partir dos Terminais de Integração até as Estações de Transbordo da Área Central e linhas interterminais, ligando os diversos Terminais de Zona, sendo realizada a integração através de bilhete eletrônico. O novo conceito otimiza o atendimento a partir das seguintes inovações:
- As linhas troncais e alimentadoras tem um percurso mais curto, permitindo um retorno mais rápido aos terminais e reiniciando a operação;
- As linhas troncais tem sua operação facilitada pelas faixas exclusivas nos corredores, circulando com muita rapidez;
- O sistema permite o deslocamento ágil dos usuários para todas a zonas da cidade, com uso da integração e o uso de veículos e estações de embarque com ar condicionado;
- A otimização operacional permite um alívio nos custos, de modo que as tarifas sejam mais compatíveis com a qualidade do atendimento;
- A gestão do sistema traz inovações como o gerenciamento da frota por GPS, informações on-line aos usuários e avaliação de desempenho das empresas operadoras.
Foram implantadas oportunamente medidas capazes de facilitar a implantação do Sistema Integrado de Transporte Coletivos Urbanos em Teresina (mudança da posição das catracas, bilhetagem eletrônica, padronização visual da frota), de modo a agilizar e facilitar os procedimentos necessários à sua implantação completa e reduzir os impactos junto aos usuários da nova sistemática de operação, com o cuidado de se evitar ações açodadas que causaram grandes transtornos em outros locais. Tudo isso em um contexto de fortes resistências de ordem política ao propósito de implantar o Sistema Integrado de Transportes Coletivos de Teresina, mesmo sendo o processo conduzido de forma amplamente participativa.
Com recursos obtidos junto ao programa PAC 2 Mobilidade – Grandes Cidades, a PMT realizou as obras estruturantes necessárias, como a construção dos Terminais de Integração, dos Corredores das linhas troncais e da Ponte Anselmo Dias, cumprindo o cronograma de obras com razoável pontualidade e sendo inclusive citada como a cidade mais ágil neste sentido pelo próprio órgão financiador (Caixa).
Em paralelo, a PMT desencadeou o processo de licitação do novo sistema, com o edital prevendo a implantação do sistema em transição do sistema anterior para o novo, enquanto as obras sejam plenamente construídas. Atualmente apenas a Zona Norte não está com a integração completada, com previsão de implantação para o primeiro semestre de 2020.
Vale lembrar que a implantação do sistema Integra serviu de base para a implantação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial – PDOT, como o objetivo de adensamento do espaço urbano, processo em que deverá haver estímulo ao uso do solo com atividades residenciais, comerciais e de serviços ao longo dos corredores de transporte e no entorno dos Terminais de Integração, otimizando-se o funcionamento da cidade a médio e longo prazo.
Ricardo Freitas
Assessor técnico da Strans
10 de março de 2020
